É longo, mas vocês já leram mais do que isso pelo mesmo motivo: treta com os queer, e nem doeu. Quer dizer, doeu sim: você ficou machucada com todas as bostas e até hoje tem as cicatrizes. Vá em frente na leitura que este aqui é polêmico, mas tá do seu lado e é indolor. <3 Uma coisa que você pode fazer é começar por aqui.
Vou colocar aqui uma versão resumida e menos empolada tirada deste original. Ele é um resumão do Marx escrito pelo Stálin. Uma fonte ainda melhor é esta, um texto com base nela ainda está no forno.
O materialismo histórico-dialético é centralmente importante para o feminismo radical, pois é o materialismo a ferramenta de análise da sociedade na qual feministas radicais se apoiam. Nunca ouviu falar nessa merda? Normal, geralmente não usamos esse palavrão nas discussões na internet, mas ele está por trás de toda a nossa visão de mundo. Quando as mulheres que se reivindicam feministas radicais não o conhecem, acabam concordando com uma série de norminhas que elas acham que o feminismo radical é, sem entender sua estrutura de funcionamento e, por isso, com sérias dificuldades para elaborar feminismo radical por si mesmas.
O materialismo histórico-dialético é centralmente importante para o feminismo radical, pois é o materialismo a ferramenta de análise da sociedade na qual feministas radicais se apoiam. Nunca ouviu falar nessa merda? Normal, geralmente não usamos esse palavrão nas discussões na internet, mas ele está por trás de toda a nossa visão de mundo. Quando as mulheres que se reivindicam feministas radicais não o conhecem, acabam concordando com uma série de norminhas que elas acham que o feminismo radical é, sem entender sua estrutura de funcionamento e, por isso, com sérias dificuldades para elaborar feminismo radical por si mesmas.
É por isso que, diante de situações novas, novos problemas, não sabem como reagir. Entenderam as regras, mas não de onde elas saíram - nem muito menos como produzir novas.
O feminismo radical não é abolicionista de gênero e da prostituição, crítico a relações heterossexuais sem culpabilização das mulheres engajadas nelas, contrário aos padrões de beleza etc porque sim. Existe a realidade, existe a nossa visão da realidade, essa visão se dá intermediada por uma ferramenta chamada materialismo (histórico-dialético). Ele é nossa lupa, nosso binóculos, nosso telescópio e nosso microscópio. Vou dividir o post em três partes. Nessa primeira vocês vão se perguntar: o que eu tenho a ver com isso? Na segunda vocês vão entender porque eu entro na treta queer propriamente dita. Na terceira a gente junta tudo e bate no liquidificador.
O método dialético marxista
a) A dialética não considera a natureza um conglomerado casual de objetos
e fenômenos, desligados e isolados, e sim como um
todo articulado, no qual tudo se interdepende. Por isso, o método dialético entende que nenhum fenômeno da natureza
pode ser compreendido se focalizado isoladamente.
b) A dialética não considera
a natureza como algo quieto e imóvel,
mas como sujeito a mudança constante, renovando-se e desenvolvendo-se incessantemente. Por isso, o método dialético exige que se examinem os fenômenos, não
só do ponto de vista de suas relações mútuas, mas também do ponto de vista de seu movimento, transformações e desenvolvimento.
c) A dialética não estuda o processo de
desenvolvimento dos fenômenos como um simples processo de crescimento,
em que as mudanças quantitativas não se traduzem em mudanças
qualitativas, mas como um processo em que se passa das mudanças
quantitativas insignificantes e ocultas às mudanças manifestas, às
mudanças radicais, às mudanças qualitativas. Estas se produzem
não de modo gradual, mas repentina e subitamente, em forma de saltos de
um estado de coisas para outro, e não de um modo casual, mas
de acordo com leis, como resultado da acumulação de uma série de
mudanças quantitativas graduais.
Por isso, o método dialético entende que os processos de
desenvolvimento não se devem conceber como movimentos circulares, como
uma simples repetição do caminho já percorrido, mas como movimentos
progressivos, como a transição do
velho estado qualitativo a um novo estado qualitativo.
Caracterizando o desenvolvimento dialético como a transição das mudanças quantitativas para as mudanças qualitativas, diz Engels:
"Em física... toda mudança é uma transformação de quantidade em
qualidade, uma consequência da mudança quantitativa da massa de
movimento de qualquer forma inerente ao corpo ou que se transmite a este
último. Assim, por exemplo, o grau de temperatura da água não influi em
nada, a princípio, em seu estado líquido; mas, ao aumentar ou diminuir a
temperatura da água líquida, chega-se a um ponto em que o seu estado de
coesão se modifica e a água se converte, num caso, em vapor, e noutro,
em gelo."
F. Engels, "Dialética da Natureza", Obras completas de Marx e Engels, ed. alemã do Instituto de Marx-Engels-Lenin, de Moscou, pág. 503
d) A dialética parte do princípio de que os
objetos e os fenômenos da natureza levam sempre implícitas contradições
internas pois todos eles têm seu lado positivo e o seu lado negativo,
seu passado e seu futuro, seu lado de caducidade e seu lado de
desenvolvimento. A luta entre esses lados
contrapostos, a luta entre o velho e o novo forma o conteúdo
interno do processo de desenvolvimento, da
transformação das mudanças quantitativas em mudanças qualitativas.
Por isso, o método dialético entende que o processo de
desenvolvimento do inferior para o superior não decorre como um processo
de desenvolvimento harmônico dos fenômenos, mas pondo sempre em
evidência as contradições inerentes aos objetos e aos fenômenos, num
processo de "luta" entre as tendências contrapostas que atuam sobre a
base daquelas contradições.
"Dialética, em sentido restrito, é o estudo das contradições contidas na própria essência dos objetos." "O desenvolvimento é a 'luta' dos contrários"
Repito aqui os próprios exemplos do Manifesto: "Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e companheiro, numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre, ou por uma transformação revolucionária, da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em luta.".
Se todos os fenômenos
estão vinculados entre si e se condicionam uns aos outros, é evidente
que todo todo movimento social que aparece na história
deve ser julgado não do ponto de vista da "justiça eterna", mas do ponto de vista das condições que geram esses movimento sociais e às quais se acham vinculados.
Esse modo de encarar os fenômenos é o único que impede a
ciência histórica de converter-se em um caos de acontecimentos fortuitos. Ora, se o mundo se acha em incessante movimento e desenvolvimento e
se a lei desse desenvolvimento é a extinção do velho e o fortalecimento
do novo, é evidente que já não pode haver nenhum regime social
"irremovível", nem podem existir os "princípios eternos" da propriedade
privada e da exploração, nem as "ideias eternas" de submissão dos
camponeses aos latifundiários e dos operários aos capitalistas.
Isso quer dizer que o regime capitalista pode ser substituído pelo
regime socialista, do mesmo modo que, a seu tempo, o regime capitalista
substituiu o regime feudal. Que é preciso orientar-se, não para aquelas camadas
da sociedade que já chegaram ao término de seu desenvolvimento, embora
no momento presente constituam a força predominante, mas para aquelas
outras que se estão desenvolvendo e que têm um futuro, ainda que não
sejam as forças predominantes no momento atual.
Se a transição das lentas mudanças quantitativas para
as rápidas e súbitas mudanças qualitativas constituem uma lei do
desenvolvimento, é evidente que as transformações revolucionárias
levadas a cabo pelas classes oprimidas representam um fenômeno
absolutamente natural e até mesmo inevitável.
Isso significa que a transição do capitalismo para o socialismo e a
libertação da classe operária do jugo capitalista não pode realizar-se
por meio de mudanças lentas, por meio de reformas, mas só mediante a
transformação qualitativa do regime capitalista, isto é, mediante a
revolução. Que é preciso ser revolucionário e não reformista.
Se o processo de desenvolvimento é um processo de revelação de
contradições internas, um processo de choque entre forças contrapostas,
na base dessas contradições, e com o fim de superá-las, a
luta de classes do proletariado constitui um fenômeno perfeitamente
natural e inevitável.
É preciso
manter uma política proletária, de classe, intransigente, e não uma
política reformista, de harmonia de interesses entre o proletariado e a
burguesia, uma política oportunista de "evolução pacífica" do
capitalismo para o socialismo.
Clique aqui para prosseguir à segunda parte. :D
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